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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ARCANO XVIII - UMA FONTE DE EVOLUÇÃO

Encontrei a imagem abaixo no blog Jane Adamsart e pelo pouco que pude entender, a postagem traz uma relação entre o Arcano XVIII (A Lua) e o deus Chandra (Lua).
Desconhecia até então de qual baralho esta carta pertence e acabei "descobrindo"que trata-se do Hermetic Tarot.
Belíssimo.
Repleto de simbolismos...
Bom, seguem abaixo o versículo escrito por Andre Jean Festugière, que está no verso da carta e que, por teimosia e ousadia, "tentei traduzir" via Google e o original em inglês.


A Lua - Encarnação

Relexos na luz do límpido luar
Misteriosamente encarnam o árduo caminho da noite
Repleta de sangue desperdiçado pela força.
Os cães uivam para a fonte da evolução
Para se aquecerem na luz brilhante da aurora.

Esses menestréis arrependidos terão de ser domesticados
Antes que o terreno pantanoso seja recuperado.
Neste tempo eles deverão caçar na escuridão (*).
Esforçando-se para encontrar a centelha oculta
Para curar o manco, o aleijado e mutilado.
Não é mais sensato acordar na suave luz da lua
do que ocioso com ídolo da noite escura?


(*) A Era de Kali Yuga: ou a mais profunda descida da matéria para a materialidade. 
De todos os arcanos, este é que ensina a necessidade de descobrir o caminho verdadeiro para si mesmo, sem depender do que os outros dizem. 
É o Arcano da experiência direta através da vida, da renovação das células e da reparação através do sono.
Assim "sonhando" estamos sob sua influência.

 __________

THE MOON - EMBODIMENT

REFLECTIONS IN THE LIMPID LUNAR LIGHT
GRACIOUSLY EMBODY THE HARD PATH OF NIGHT
STREWN WITH BLOOD OF WASTED FORCE.
THE CANINES HOWL FOR EVOLUTION'S SOURCE
TO BASK IN THE DAWN OF SUNSHINE BRIGHT.

THESE SORRY MINSTRELS MUST BE TAMED
BEFORE THEY HOME LAND BE FROM SWAMP RECLAIMED.
FOR THE TIME AHEAD, THEY MUST BE HUNT IN DARK(*)
STRIVING TO FIND THEIR RIDDEN SPARK
TO CURE THE HALT, THE LAME AND MAIMED. 

IS IT NOT WISER TO WAKE IN SOFT MOON LIGHT
THAN IDLE WITH THE IDOL DARK OF NIGHT?



(*)THE AGE OF KALI YUGA: OR DEEPEST DESCENT INTO MATER THE MATERIALITY. THIS OF ALL THE ARCANA, TEACHES THE NECESSITY TO DISCOVER THE TRUE PATH FOR ONESELF, WITHOUT RELYING ON OTHERS' SAY-SO. IT IS THE ARCANUM OF DIRECT EXPERIENCE THROUGH LIFE, AND ALSO RULES 
EMBODIMENT AND REPLENISHMENT OF THE CELLS THROUGH SLEEP. SO DREAMING COMES UNDER ITS INFLUENCE.


http://janeadamsart.wordpress.com/2012/08/17/sacred-india-tarot-archive-creation-of-chandra-the-moon-card-18/

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ARCANO XVIII


Diante dos mistérios da Lua
por Gláucio Araújo

Não temo a escuridão no caminho! Nem mesmo as sombras da noite têm o poder de deter os meus passos. Intuição não é  sinal, muito menos uma visão interna, como um “insight”. Intuição é Vontade Pura! E a ninguém é dado o direito de negar a Vontade quando ela se manifesta pura e límpida.

O mistério da Lua está no modo incerto como ela nos mostra as coisas. Sob os raios do luar nada é certo… Nada é preciso… Tudo pode ser diferente do que imaginamos. Um montículo pode ser uma inofensiva pedra ou um animal à espreita; o caminho pode ser sólido e firme, ou um pântano lodoso… Nada é certo… Não há certezas sob os raios da Lua.

Bem e mal misturam-se nas sombras; certo e errado não possuem mais os mesmos limites que inventamos de tempos em tempos. Verdade e ilusão facilmente se confundem ou, por outras vias, revelam-se como realmente são: nada mais que ilusões.

Para mim, à minha frente, não há bem nem mal, certo ou errado, verdade ou ilusão… Apenas o caminho escuro e as sombras incertas. Sob os raios do luar percebo, por fim, que nem tudo pode ser controlado ou explicado.

Ceder à intuição, que é Vontade Pura e sem propósitos, é o meu único DEVER ao qual não tenho o direito de negar. Não me são dadas explicações, nem mesmo sei aonde Ela irá levar-me.

A Lua é a Mãe, o Segundo Logos, a Deusa, a Lei, o Santo Espírito, contra quem, em hipótese alguma, se pode blasfemar ou negar a Sua Vontade!

O perdão é da natureza do Pai e do Filho, mas a Mãe, a Lei, é incapaz de perdoar! Por isso se diz em segredo: “é a Mãe que separa o Pai do Filho” e, por isso mesmo, perde-se a humanidade nas trevas e na ignorância.

A humanidade cega assemelha-se a uma lagosta estática ao centro do lago profundo da sua própria inconsciência. Com suas garras, ameaça (inutilmente) a Lua, desafia a Lei. Enquanto aprofunda-se na cegueira, coloca para fora o seu esqueleto a fim de negar a si mesma qualquer possibilidade de mudança em suas carnes moles.

Sob os raios do luar, não há o que escolher: seguir adiante, sem jamais retroceder, é a minha única opção. À minha frente, está a inconsciência e a humanidade cega… A MINHA humanidade, com todas as suas duras defesas, regras, conceitos, preconceitos, enfim, tudo aquilo que invento para garantir-me alguma inlusão de controle, segurança e previsibilidade.

O lago em si, não é uma ameaça… Sob a luz da Lua, não há como saber se são águas ou solo firme. Mas se a Vontade Pura diz: “segue!”, eu não tenho o direito de negar.

Nem mesmo os uivos distantes que ouço, causam-me mais arrepios. Os lobos não ameaçam a Lua, eles a veneram e protegem. São suas colunas e entoam louvores aos seus raios. Eles não irão ferir quem, como eles, aceitam e amam a luz da Lua, mas eles irão aproximar-se de mim, irão cheirar meu corpo inteiro em busca de qualquer sinal de desejo de retroceder e contrariar a Vontade pura que me move.

Cedendo à Lei, eles não apenas permitirão que  eu continue a minha jornada, como também seguirão juntos ao meu lado, acolhendo-me em seu centro como se fossemos membros da mesma matilha. Caminharei, portanto, entre o bem e o mal, no fio da navalha, e a minha única segurança reside apenas na minha capacidade de entregar-me, sem medo e completamente, à Vontade Pura que me chama.

Ninguém está acima do bem e do mal!

É ao lado de ambos que se caminha na escuridão… Basta um breve resquício de temor, qualquer tipo de julgamento, um fulgaz pensamento duvidoso contra a Lei, para que, de membro da matilha, eu seja transformado em presa para, ali mesmo, ser atacado e devorado até os ossos tanto pelo bem quanto pelo mal.

A vitória, e a minha única opção, está na renúncia, na entrega, no mergulho incondicional em toda Vontade Pura que me chama sob a luz do luar.

Amor é Lei… Amor sob Vontade!

Fonte:
imagem:
Universal Tarot of Marseille- Lo Scarabeo Editions - Based on the Swiss Claude Burdel's Tarot deck

sábado, 5 de maio de 2012

ARCANO XVIII - A LUA


Descrição: Uma lua ilumina um pântano no qual se encontra parado um camarão de água doce. Dois cães ladram para a lua e duas torres maciças enquadram a paisagem. Gotinhas multicores são aspiradas pelo astro feminino.

Simbolismo: Número da insatisfação, o número 18 tende para a tristeza e para a decepção. 
A influência lunar abre as portas da receptividade, do sonho, das ilusões, acentuando o marasmo.  
A Lua, princípio feminino, é o símbolo das criações da imaginação, do sonho, da sensibilidade, da intuição e da passividade.
Gotículas de diferentes cores são aspiradas pelo disco lunar: a LUA "suga" as energias terrestres monopolizando assim tudo para ela... sem dar nada em troca.
No primeiro plano, descobre-se o camarão, que se refugia na água parada do pântano, acentuando assim os hábitos, a rotina, a nostalgia do passado: todo um conjunto no qual as pessoas se comprazem. Símbolos das oposições entre o bem e o mal, os dois cães, alimentando-se das forças invisíveis da noite, ladram para a lua.
Frequentemente comparadas aos Templos da Iniciação, as duas torres maciças que enquadram a paisagem são os refúgios da imaginação e desempenham um papel protetor.
A lua, astro da noite, emblema do mundo dos fantasmas e do mundo oculto, é o símbolo do eterno feminino e da fecundidade.
A perseverança permitirá ao homem sair do pântano, atravessar os obstáculos, abandonar a proteção das torres e caminhar na direção da linha do horizonte, para o futuro, para... o SOL.

Fonte: ABC do Tarô - Collette H. Silvestre - Cícrulo do Livro/1996
Imagem:Tarot of Marseille Grimaud Editions