SOB O SIGNO DA PRIMAVERA E DA PAZ

T'AI/PAZ

Ficheiro:Iching-hexagram-11.png
Céu Terra unem-se: a imagem da Paz.
Assim o governante divide e completa o curso 
do céu e da terra, 
favorece e regula os dons do céu e da terra
 e desta forma ajuda ao povo.

"O céu e a terra estão em contato e combinam suas influências, propiciando uma época de florescimento e prosperidade geral. O governante dos homens deve regular essa corrente de energia. Isso se faz através da divisão. Assim, os homens dividem o fluxo uniforme do tempo em estações, de acordo com a seqüência dos fenômenos naturais, e dividem também em pontos cardeais o espaço que envolve todas as coisas. Desse modo, a natureza, em sua pujante profusão de fenômenos, é delimitada e controlada. Por outro lado, é necessário estimular a natureza em sua produtividade. Isso se consegue ajustando os produtos ao momento e lugar adequados, o que aumenta o rendimento natural. Assim, a natureza recompensa o homem que a controlou e estimulou".
I CHING - o livro das mutações de Richard Wilhelm

TAO ORACLE (RUSSIAN)-MA DEVA PADMA


Nosso mundo pede Paz! Então, nada como recorrer ao I Ching e à natureza para relembrarmos algumas lições básicas sobre a tão desejada paz. No I Ching, o hexagrama Paz é um dos mais prestigiados pelos mestres taoístas. Através dos seus simbolismos, podemos aprender muito sobre o seu cultivo. Formado pelos trigramas do Céu e da Terra, ele representa o encontro, a união das energias Yin e Yang na natureza. Quando o Céu e a Terra se unem, geram todas as coisas, todos os seres, toda a vida do universo. Por isso, este hexagrama simboliza a própria primavera, época em que todos os seres são vivificados. Ele representa a renovação, o crescimento, o inicio de um novo ciclo.

Falar da primavera nos faz lembrar das plantas, das árvores, da natureza. Então pense nas plantas de uma floresta. Inúmeros tipos de árvores, algumas imensas invadindo o céu, outras menores, menos imponentes. Arbustos, gramíneas, trepadeiras, flores e cipós… A diversidade das espécies é a maior riqueza da floresta. Lá existe uma variedade tremenda de seres vivos compartilhando o mesmo espaço, em perfeita harmonia. Um conjunto perfeito, onde cada um cumpre um papel e vive de acordo com a sua própria natureza. A planta que precisa de mais água para viver, sorve mais que a outra, que precisa de menos. Quem precisa de mais luz, vai mais para o alto, buscar o sol. Quem precisa de menos, fica mais embaixo. E todos se satisfazem, sem que haja injustiça ou reclamação, sem que haja guerra ou discórdia. A grande árvore não se irrita quando a trepadeira se enrosca no seu tronco para crescer. E a bromélia não precisa ser jequitibá para se realizar… Quanta coisa nós, da imensa floresta humana, podemos aprender sobre a convivência pacifica com os habitantes verdes das florestas…

Pensar nas plantas também nos remete à idéia do cultivo: um processo árduo que começa no preparo da terra, no plantio e culmina na colheita. Isso tudo depois de um longo período de esforço, dedicação e paciência. Esforço para arar a terra mais dura e tornar o campo mais receptivo e propício à germinação das sementes. Dedicação para cuidar, adubar, regar e auxiliar o crescimento dos brotos. Paciência para esperar que a planta naturalmente dê os frutos que tanto aguardamos, o que só acontece no tempo da própria planta. E importante: colhemos o que plantamos!

Quando dizemos que precisamos de paz no mundo, percebemos claramente o que desejamos colher: paz. Para isso, é necessário cultivá-la, com esforço, dedicação e paciência. Esforço para desenvolvermos a tolerância exterior, quebrando o excesso de rigidez provocado pelas nossas exigências, nossas “certezas” e julgamentos. Para tornarmo-nos mais receptivos ao outro, suas crenças, necessidades e opiniões. Dedicação para perseverarmos na transformação interior que nos amplie a consciência, tornando-nos mais lúcidos e menos ansiosos, mais criativos e menos apegados, mais dinâmicos e menos rígidos, mais universais e menos egoístas. Paciência, pois estas transformações não acontecem como num passe de mágica. Os frutos surgem no seu próprio tempo, de acordo com o ritmo de cada um, respeitando a naturalidade de cada um. Ouvi dizer que a tamareira leva mais de uma centena de anos para produzir frutos. E não adianta tentar apressar a natureza…

Finalizando este principio de reflexão, mais duas observações sobre o hexagrama Paz. A Terra, que normalmente fica abaixo do Céu, neste hexagrama está acima dele. Enquanto isso, o Céu, que se posiciona no alto, acima de tudo, no hexagrama Paz está embaixo! Podemos ler: colocar-se no lugar do outro é o caminho do encontro pacifico entre os diferentes. Boa dica dos dois grandes do I Ching, não é? E outra: a abertura da Terra está no exterior enquanto a transformação do Céu está no interior! Ou seja, a paz é um processo que começa dentro de nós e cresce para fora, em direção ao mundo, pelo caminho da humildade e da tolerância! Ainda bem!… Pois desta forma, mesmo que o exterior dificulte um pouco as coisas, podemos manter viva a esperança de que realmente conseguiremos construir um mundo de paz, começando a partir do nosso próprio coração!


Texto de Wagner Canalonga
Professor e consultor de I Ching-Sociedade Taoísta do Brasil/SP

Imagens: Wikipédia e Picasaweb

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